Ok, eu reconheço que disse no primeiro post que não iria
falar sobre a greve. Reconheço que não estou por dentro dos motivos e das
consequências desse movimento. Mas também reconheço que estou sendo
prejudicado. Por isso, acho que tenho o direito de me expressar sobre o
assunto.
Primeiro de tudo, quero deixar bem claro que, entendo o
quanto é difícil ser professor, ou ser qualquer profissional que não esteja
recebendo devidamente seus direitos no trabalho. Sei que isso gera muitos
problemas para todos os trabalhadores, e que não há outra forma de
reivindicarem a desvantagem que estão sofrendo, se não pela greve.
Mas, eu, como aluno, aprovado no processo seletivo 2014, também
tenho que me preocupar com a minha situação. Já não basta que estou
praticamente 8 meses sem estudar, ainda tenho que lidar com a falta de previsão
para o início das aulas? Não sei se vocês sabem, mas isso prejudica os alunos
de uma forma sem tamanho.
Não posso falar pelos veteranos, pois eles já tiveram seu
primeiro ano, mas e os recém aprovados? E os que não fazem ideia do que está acontecendo?
Isso sinceramente deve irritá-los. Pensem comigo, eles se esforçaram, estudaram
bastante para obter aprovação no processo seletivo, e agora são barrados de usufruírem
do que conquistaram, apenas porque os colégios estão em greve? Pois é, isso é o
que estou sentindo nesse momento.
Eu sempre achei que para ser professor não bastava apenas a
pessoa sentir vontade de obter a aprovação em pedagogia, ou na matéria que
quiserem lecionar. Eu acredito que para ser professor, as pessoas devem ter a responsabilidade
pelos seus alunos, devem se importar com o que seus alunos poderão se tornar
sem os seus ensinamentos. Ser professor é ser pai/mãe de milhares de cidadãos. Mesmo
que não recebam o devido merecimento, ser pai e mãe é isso. Se importar com os
filhos, ainda que eles não retribuam o carinho.
Por isso, eu acredito e espero que a greve tenha logo um
fim. E como disse no início do texto, realmente entendo que os professores
precisam dos seus direitos garantidos. Mas, talvez, eles pudessem fazer tudo
que estão ao seu alcance para que as aulas comecem. Não necessariamente abrirem
mão de tudo que estão exigindo para que voltem a ensinar, porém que eles tenham
em consciência que milhares de alunos dependem deles, milhares de adolescentes
esperam através das suas aulas a possibilidade de construírem um futuro melhor
para si mesmos.

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