segunda-feira, 21 de julho de 2014

Diário de Bordo - Primeiro dia de Aula: O nivelamento.











Ah, primeiros dias, por que vocês sempre são tão catastróficos? Ou então, por que vocês sempre são tão perfeitos?

Pois é, no meu caso é apenas a parte da catástrofe mesmo, sem a perfeição. Mas, dessa vez foi diferente, e vou explicar o porquê.

Eu nunca fui bom com primeiros dias, já devo ter dito isso em algum post anterior, mas como não lembro, vou falar sobre isso novamente.  Sempre fui muito tímido e ainda assim, meus pais me mudavam muito de escola, o que não era nada bom para uma pessoa que tinha vergonha até da própria sombra. Ok, mas tem um lado bom. Essa minha timidez não é duradoura, no momento em que eu me adapto ao novo ambiente, pronto, tudo resolvido. Eu viro outra pessoa. Na verdade, me transformo no contrário de um garoto tímido. Isso sempre fez parte de mim.

Mas mesmo sendo uma timidez temporária, eu acabava demorando muito tempo para me adaptar e tinha que ficar umas duas semanas sem falar com qualquer pessoa ou fazer uma mísera amizade. Ou seja, eu ficava sozinho na sala, sentado, até mesmo no intervalo. Até que um ser de luz viesse falar comigo. Isso sempre acontecia, mesmo eu ficando eternamente preocupado com o fato de que em um caso específico alguém não se interessasse por minha amizade.

Isso sempre me perturbou um pouco, porque eu me conheço, meus amigos me conhecem. Eu sou aquele garoto extrovertido, que chega nas festas e faz loucuras e tal. Eu sou totalmente solto. Mas claro, quando o ambiente é conhecido, ou então quando tenho pessoas conhecidas ao meu redor. Eu ficava pensando: por que eu, com toda minha espontaneidade, tenho que ser tão tímido em novos lugares, novas escolas? Eu preciso mudar.

Mas nunca funcionava, eu desejava mudar, renascer, me transformar, porém quando trocava de escola, acabava sempre fazendo a mesma merda.

Até que me vi indo pro ensino médio, mais precisamente falando, pra um IF, como vocês sabem (finalmente as aulas decidiram começar né? Essa greve estava me deixando burro).

Recebi uma ligação do Instituto anunciando que os novos aprovados teriam que começar as aulas duas semanas antes de todo o resto da escola. Resumindo, seriam duas semanas de aulas apenas para os Primeiros Anos de todos os cursos, livre dos segundos, terceiros e quartos anos.  A princípio não entendi muito bem, mas aos poucos saquei. É uma espécie de nivelamento, aulas preparatórias para o estilo de ensino da Instituição. Bem broxante, não? Fiquei com um frio na barriga que vocês não têm noção!

Até que na véspera de começar o nivelamento, eu me vi sem conseguir dormir e comecei a pensar em tudo que me aconteceu. Aqueles momentos patéticos da sua vida onde você pensa em um monte de merda, como se fosse um personagem de livro ou filme, sabem? Então, foi basicamente isso.

Eu lembrei que queria mudar e decidi fazer isso acontecer no primeiro dia de aula. Eu iria canalizar toda a minha energia para um ambiente desconhecido e iria me sair muito bem. Eu vou conseguir!

Aí a manhã chegou maravilhosa, com um belo e fraquinho sol, com um bom clima. Abri as janelas do meu quarto, senti a manhã divina que estava se formando ás 5:30 da matina, olhei para o céu, estiquei meus braços, deixei os pequenos raios solares tocarem em minha pele e pensei: que vontade de me matar.

Tá, tá, parei... Continuando...

Obriguei meu pai a me levar de carro no primeiro dia. Eu fiz um bom e velho escândalo. Não queria ir de ônibus, eu ainda não conhecia o lugar, alguma coisa ia dar errada.

Chegando no portão da escola, meu coração acelerou. A boa e velha chama de mudança que eu mantinha acessa, começou a fraquejar. Mas prossegui. Atravessei o portão e fui andando até a recepção e, que merda! Estava cheia de alunos. Eles estavam esperando notícias para saber qual seria nossa sala. Entrei passando por todo mundo e tentei conter a vontade de voltar para casa. Poderia não ter ninguém me olhando, mas eu sentia como se estivessem me fuzilando.

Achei um canto bem escondido para ficar esperando e peguei meu celular. Celulares, eles te salvam de momentos terríveis!

Então né, sabem aquela chama que eu estava preservando? Pois é, ela se apagou.

Até que uma garota, vamos chamá-la de K, veio falar comigo. Ela parecia mais nervosa do que eu. Mas eu não tirava sua razão. Eu tímido, é a mesma coisa que eu assustador. Eu simplesmente fico com uma cara de monstro que assusta todo mundo.

Porém ela falou comigo mesmo assim e eu respondi sua pergunta. Mas aí o assunto morreu... Eu deixei morrer, eu não fui muito simpático e, ela acabou voltando para o lugar onde estava. Foi nesse momento que travei uma das maiores batalhas mentais da minha vida. Não podia deixá-la escapar, ela poderia ser minha primeira amiga. E ter uma primeira amiga, no primeiro dia, é uma glória. Eu conseguiria ser o que sempre fui, e ser o que sempre fui, no primeiro dia, atrairia mais pessoas para mim.

Andei até a menina e comecei a falar, e citei que eu lembrava dela de um curso que eu fui obrigado a fazer. Lá eu não era muito diferente do que fui na recepção do IF. Na verdade, o curso foi um dos poucos lugares que não consegui me adaptar e acabei largando depois de dois meses sem falar ou interagir com alguém.

E foi a decisão de falar com a K, que mudou tudo. Eu fui pra sala com mais confiança. E o fato dela estar pior que eu, foi ótimo, fizemos até um acordo de não nos distanciarmos um do outro nesses primeiros dias de nivelamento. Seríamos um o portal do outro para novas amizades. E assim aconteceu, fomos encaminhados para nossa sala e todos os alunos foram juntos para lá. Não falei com ninguém, mas também eu estava perfeitamente bem, eu me dominava, eu era o que gostava de ser.
Eu passei os dias de Nivelamento feliz da vida, numa escola gigante, e com um grupo de amigos formado. E esse foi o melhor dia que já tive em minha vida, em relação à escola.

Agora vamos aos PS’s:

Ps1: Escrevi isso quando acabei o nivelamento. Falta um dia para as aulas começarem com todos os anos.

Ps2: Eu achava a escola o máximo sem todas as outras turmas, era tão vazia.

Ps3: Eu fiquei confiante sim, mas ainda tinha algumas vergonhas. Tipo comer em público. Como eu fiquei lá, manhã e tarde nessas duas semanas, tinha que comer lá. Eu tinha vergonha de pegar fila da cantina e tinha vergonha de pegar fila para esquentar o almoço. Ou seja, fiquei um bom tempo comendo lanche escondido com a K. Mas isso já passou.

Ps4: As aulas não foram tão puxadas, não fomos tão explorados como me falaram que seríamos. Mas isso aconteceu porque foi um nivelamento. Ele não é tão pesado. Irei ver isso agora, quando as aulas realmente começarem.

Ps5: O povo da minha sala é tão legal e são tão inteligentes. Me senti até um pouco mal, porque eu era o melhor da minha antiga escola, e eles foram tão bem no nivelamento. Mas tudo bem, mostrarei o meu melhor também quando as aulas começarem.

Ps6: Oi gente, esse Ps6 eu estou colocando depois de ter postado esse diário de bordo. É como se fosse uma atualização. Vim aqui pra falar que minha primeira unidade começou e como eu esperava, está sendo muito louco, não tenho tempo pra nada. Quando a unidade acabar, eu lanço o próximo diário de bordo. O diário da primeira unidade. Acho que assim fica melhor.

É isso pessoal, abraços e até a próxima.



sexta-feira, 18 de julho de 2014

Diário de bordo - Finalmente, ou devo dizer, infelizmente?



Ótimo. Estou completamente ferrado. Eu odeio começar em uma nova escola, odeio não conhecer ninguém, odeio ter que ficar na “minha” por pelo menos umas boas e longas semanas.

Eu estava conformado e nem carregava tanta preocupação nos meses que estive de férias. Na verdade eu estava até corajoso. Mas, agora que as aulas estão próximas e já estou preparando farda, materiais e mochila; eu meio que estou amarelando. Que nem no hospital. Sempre vamos confiantes e seguros de que não sentiremos medo, porém, quando sentimos o cheiro de álcool do ambiente hospitalar, fraquejamos. Isso é uma droga.

Mas, como tenho que estudar, terei que ir. Já estou até prevendo como as coisas serão. Entrar na escola e esperar na entrada alguém informar em qual sala eu ficarei. Procurar a porta com a numeração que a moça me disse. Entrar e sentar em um lugar discreto. E por fim, ficar como uma múmia observando o professor falar até o fim da aula. É isso, eu admito, não sei como agir em um lugar cheio de pessoas que não conheço. Isso me assusta.

Sem falar que por causa da greve, haverá reposição de aulas. Ou seja, as duas primeiras semanas de aula serão de manhã e de tarde. E como eu moro longe da escola, não irei nem voltar pra casa no intervalo entre o turno da manhã e da tarde, irei ficar lá direto, e seguir a programação. Ah! Isso sim é uma maravilha. Já estava preocupado com o primeiro dia, agora estou desesperado. Odeio primeiros dias! Ainda mais se vierem com surpresinhas.

Enfim, daqui a uns dias postarei o primeiro diário de bordo que fala sobre o grande dia que irei para a escola. E enquanto isso, irei torcer para que pelo menos o professor não obrigue os alunos a se apresentarem, ou pior, a fazerem dupla para se conhecerem melhor. Isso seria o fim! 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Finalmente, notícias! Aleluia IFBA!

Dia 12 de julho eu escrevi um post sobre o que penso em relação a greve. E felizmente dois dias depois, hoje, no caso – é divulgado no site que os professores suspenderam a paralisação. – Não finalizaram, apenas suspenderam. Sinto problemas a frente. Mas, vamos que vamos. Um passo de cada vez.


Eles disseram que estão elaborando o calendário escolar de 2014 e que haverá uma reunião dia 16/07 ás 9h, com os pais dos alunos, os professores e um bando gente que não me lembro mais.


Porém o bom é que a questão parece estar se resolvendo e acredito que em poucos dias as aulas começarão e que obviamente eu começarei a frequentar as aulas. Para a minha alegria, ou será tristeza?


Estou ligeiramente desacostumando a vida escolar, não sei como será esse meu primeiro ano. Mas, que tudo dê certo.


Só passei aqui para deixar esse recado mesmo e avisar que em breve terá o próximo diário de bordo. Bem, isso se as aulas começarem, como eu realmente espero.




sábado, 12 de julho de 2014

Falando sobre a greve no IFBA...


Ok, eu reconheço que disse no primeiro post que não iria falar sobre a greve. Reconheço que não estou por dentro dos motivos e das consequências desse movimento. Mas também reconheço que estou sendo prejudicado. Por isso, acho que tenho o direito de me expressar sobre o assunto.

Primeiro de tudo, quero deixar bem claro que, entendo o quanto é difícil ser professor, ou ser qualquer profissional que não esteja recebendo devidamente seus direitos no trabalho. Sei que isso gera muitos problemas para todos os trabalhadores, e que não há outra forma de reivindicarem a desvantagem que estão sofrendo, se não pela greve.

Mas, eu, como aluno, aprovado no processo seletivo 2014, também tenho que me preocupar com a minha situação. Já não basta que estou praticamente 8 meses sem estudar, ainda tenho que lidar com a falta de previsão para o início das aulas? Não sei se vocês sabem, mas isso prejudica os alunos de uma forma sem tamanho.

Não posso falar pelos veteranos, pois eles já tiveram seu primeiro ano, mas e os recém aprovados? E os que não fazem ideia do que está acontecendo? Isso sinceramente deve irritá-los. Pensem comigo, eles se esforçaram, estudaram bastante para obter aprovação no processo seletivo, e agora são barrados de usufruírem do que conquistaram, apenas porque os colégios estão em greve? Pois é, isso é o que estou sentindo nesse momento.

Eu sempre achei que para ser professor não bastava apenas a pessoa sentir vontade de obter a aprovação em pedagogia, ou na matéria que quiserem lecionar. Eu acredito que para ser professor, as pessoas devem ter a responsabilidade pelos seus alunos, devem se importar com o que seus alunos poderão se tornar sem os seus ensinamentos. Ser professor é ser pai/mãe de milhares de cidadãos. Mesmo que não recebam o devido merecimento, ser pai e mãe é isso. Se importar com os filhos, ainda que eles não retribuam o carinho.


Por isso, eu acredito e espero que a greve tenha logo um fim. E como disse no início do texto, realmente entendo que os professores precisam dos seus direitos garantidos. Mas, talvez, eles pudessem fazer tudo que estão ao seu alcance para que as aulas comecem. Não necessariamente abrirem mão de tudo que estão exigindo para que voltem a ensinar, porém que eles tenham em consciência que milhares de alunos dependem deles, milhares de adolescentes esperam através das suas aulas a possibilidade de construírem um futuro melhor para si mesmos. 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Diário De Bordo - Apresentação.













Nunca gostei disso de mudar de escola. Nunca aturei aqueles dias iniciais que tenho que passar em uma nova sala, em uma nova turma. Na realidade estou sempre mais sozinho do que nunca.

Essa cena sem dúvida explicaria a frase: ‘’Sozinho em meio a uma multidão’’. Realmente é muito chato.

Agora estou prestes a começar o ensino médio, em uma nova escola, e obviamente em um novo cenário, tanto nos assuntos e matérias, quanto na maturidade dos alunos. Sem falar que meus pais me convenceram a fazer a prova do Instituto Federal e no fim, mesmo com todas as minhas faltas de expectativas, eu acabei passando. Pois é, eu vou estudar lá!

Mas, como se já não bastasse o fato de que eu terei que me adaptar mais uma vez a novos professores e aos aspectos de um novo colégio, eu tenho que aturar as falas de muitos estudantes veteranos desse Instituto.

"Cara, aqui eles acham que dormir é perca de tempo."

"Entrar aqui é moleza, difícil mesmo, é sair."

"Você tem vida social? Pois bem, dê adeus a ela."

"Prova? Prova você tinha na sua antiga escola, aqui é avaliação do demônio."

"Você entra no intuito de passar quatro anos e acaba ficando seis."

"Desde que entrei aqui, eu não moro mais em casa, eu banco o turista por lá."

Essas são as falas que mais leio em páginas do facebook e blogs que falam sobre o assunto. Ótimo, eu já não estava assustado o suficiente, eu tinha que, com a minha curiosidade enorme, pesquisar o dia a dia de um estudante do IF. Como eu sou um idiota! De assustado, passei para apavorado. Mas como ainda minhas aulas não começaram, não posso ter certeza se as coisas são realmente assim, e isso é algo que só pode ser resolvido quando eu tiver no mínimo um mês de aula.

Então para que eu não banque o garoto que acredita nos prejulgamentos alheios, melhor que eu espere as aulas começarem. Isso, se elas começarem. O IF está em greve, mais uma vez! Mas não falarei sobre esse assunto, afinal, não sou professor, não sei o que eles passam e não tenho como sentir na pele o porquê deles estarem em greve, por isso, não dou-lhes, nem tiro-lhes a razão.


E é isso, só me resta esperar e seguir o fluxo. Coisa que sempre faço quando estou em uma situação desconhecida. Mas para não passar por todas as experiências sozinho, acho que talvez eu crie um diário de bordo, ou sei lá. Quando as aulas começarem, eu faço um resumo bacana e posto aqui. Não sei. Há uma possibilidade.